Enquanto as autoridades americanas tentam barrar a livre distribuição de músicas no formato mp3, punindo a Napster, no Brasil continuam a desativar sites com tal conteúdo.
Paralelo a esta discussão, e ganhando espaço, está o DivX ;-).
Primeiro veio o DeCSS. Depois, o VobDec. Dois decriptadores que fizeram o que Hollywood aclamava ser impossível: quebrar a proteção anti-pirataria dos DVDs. Milhões de dólares gastos e um longo tempo de desenvolvimento da chave de encriptação foram por água abaixo. Com alguns simples macetes eletrônicos e/ou um upgrade de firmware, foi também para o espaço a estúpida idéia de dividir o mundo em 4 regiões de distribuição.
O que faltava para fechar o círculo da desgraça de Hollywood era o aparecimento de um formato de vídeo que tornasse possível a distribuição de seus filmes via Internet, com a capacidade de comprimí-los a 15% de seu tamanho original sem grande perda de qualidade: o DivX ;-). Tamanha compressão também permite que o filme seja gravado em 1 ou 2 CDrs comuns.
Não estou aqui para fazer apologia em favor da pirataria de filmes ou músicas. Estou aqui para discutir o conceito do que se chama "Direitos Autorais", ou "Propriedade Intelectual".
Ao criar o DVD com tantas "frescuras", a indústria do entretenimento de Hollywood perdeu uma oportunidade rara para melhorar sua imagem perante os consumidores. A imagem de que ela é puramente comercial, mais preocupada em receber dinheiro pelos direitos autorais e venda de produtos a preços absurdos, do que com a arte do cinema e obtenção de um lucro justo. Sua ideologia é a ganância.
Hollywood perdeu a oportunidade de criar um relacionamento, uma interação entre ela e seus consumidores. O DVD é uma criação magnífica e de incrível portabilidade, e sua tecnologia não deveria custar tão caro, de tal forma que as pessoas estão mais preocupadas em burlar seu sistema de proteção e as leis de direito autoral do que obtê-lo legalmente.
O que faz com que as pessoas pensem assim é o simples fato de se sentirem prejudicadas pelo alto custo que são impostas a pagar para obter um CD de áudio, DVD, etc... Por quê devo pagar R$ 45,00 por um DVD, ou R$ 20,00 por um CD de áudio, se posso encontrar uma cópia perfeita de qualquer um dos dois por R$ 10,00 (às vezes muito menos) em qualquer camelô de esquina, ou com um amigo que copie o CD para mim, ou converta determinado filme em DVD para DivX ;-) ou VCD?
Fazem isso porque não respeitam quem não os respeita. O preço pedido pelo produto é justo? É honesto cobrar tantos impostos? Estou sendo explorado? São estas as perguntas que martelam a consciência do indivíduo. Afinal, como já dizia Rui Barbosa: "Haverá um tempo em que o indivíduo terá vergonha de ser honesto". Esse tempo já chegou, infelizmente.
A maior interação das indústrias de entretenimento com seus consumidores, oferecendo vantagens e cobrando um preço justo pelos seus produtos, faria com que as pessoas sequer pensassem em tal coisa, já que seria mais fácil, barato e menos trabalhoso negociar diretamente com o distribuidor oficial.
Além disso, parece que a história, com tantos exemplos, não ensinou aos dinossauros do entretenimento uma regra muito simples: A livre proliferação da expressão não diminui seu valor comercial. O acesso livre ao que eles chamam de "conteúdo" a aumenta e deve ser encorajado, e não reprimido. De igual modo, quanto mais o trabalho de alguém é distribuído livremente, mais conhecido ele se torna. Nada torna alguém famoso mais rapidamente do que uma audiência que quer distribuir o seu trabalho de graça.
Jack Valenti, chefe da MPAA (a associação de cinema) e líder na luta contra o DeCSS, brigou para manter os videocassetes fora da América por 6 anos, convencido de que eles matariam a indústria cinematográfica. Alguém consegue imaginar os Estados Unidos atrasado em tecnologia por 6 anos? Com a popularização do videocassete, as vendas e os aluguéis de fitas representam mais da metade das receitas de Hollywood.
Os executivos da RIAA, em seus Porsches, estão convencidos de que a fácil disponibilidade de músicas comerciais livremente copiadas na internet levará ao apocalipse. No Brasil, a APDIF acredita no mesmo destino. Mas, ainda assim, desde que o MP3 começou a inundar a rede, as vendas de CDs aumentaram 20%.
Quando as pessoas compram um CD ou DVD, estão pagando pela arte produzida. Ou seja, estão pagando porque gostam do trabalho do cantor, do ator, etc... Não estão preocupados com o preço. O que prova que a livre distribuição de seu trabalho gera mais vendas de produtos oficiais.
Por outro lado, a maior parte da renda de um cantor, por exemplo, vem dos shows, e não dos direitos autorais. Quem fica com a maior parte são as gravadoras e outras instituições, como o gorverno. A única forma dele lotar shows é se tornar famoso, e a livre distribuição do seu trabalho cria um número suficiente de fãs para encher qualquer estádio.
Assistirei de camarote a morte do direito autoral e a valorização da arte, ao invés do lucro. Verei também o que chamam de "conteúdo" se tornar "livre informação para o conhecimento". Tenho certeza de que viverei tempo o suficiente para isso.